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Relatos de um padre exorcista.

Para se tornar exorcista da Igreja Católica, um homem precisa bem mais do que ser sacerdote. Necessita, sobretudo, entender de gente. Isso mesmo, entender de gente! E isso, ao que aparenta, o padre Francisco Luiz Bianchin, de 70 anos, mais conhecido como “padre Chico”, conhece bem.O pároco da Paróquia Nossa Senhora das Dores, em Santa Maria, parece avaliar cada movimento que se processa a seu redor. Ponto positivo para alguém que chega quase a “decifrar almas”. Sua formação em filosofia, teologia e psicologia, além de inúmeros cursos e disciplinas em psiquiatria e parapsicologia, o tornam mais do que apto a realizar o ritual.
Rito que, dos primórdios do cristianismo à atualidade, se processa praticamente da mesma maneira, mas se divide hoje em duas correntes teóricas – a tradicional e a atual/crítica.
Apesar de amplamente difundido pela ficção, o exorcismo ainda é cercado de mistérios. Causa tanto espanto que, algumas vezes, chega a ter sua essência alterada. Não para o padre Chico. É claro que, dependendo do caso, ele tem testada até mesmo a sua larga experiência e estudo sobre o tema. Para ele, exorcizar demônios é coisa séria, mas não impossível de ser feita.


Tudo começa quando é procurado por alguém que julga estar possuído. Após longas entrevistas com os familiares da pessoa, e mesmo com ela sozinha, o padre dá início a uma investigação de case que pode demorar algum tempo. Para comprovar se a possessão é verdadeira e não doença mental, é fundamental avaliar “o cosmos” que cerca o indivíduo. Ou seja, como já exposto, é preciso compreender profundamente as características psicológicas do ser humano.
Padre Chico revela que é procurado para fazer o ritual semanalmente. Apesar disso, ele estima que, de cada mil pessoas, talvez uma ou duas apresentem indícios comprobatórios de que se trata verdadeiramente de um caso para exorcismo. “É feita uma investigação exaustiva que comprova ou descarta a hipótese inicial, portanto o ritual é feito em raríssimas situações, quando não há outra explicação pertinente”, explica. Os números oficiais mostram que a possessão demoníaca real acontece em um a cada 5 mil casos relatados.REAIS – Bianchin conta que foi autorizado a praticar o exorcismo no ano de 2005 – embora, em seus 41 de sacerdócio, tenha dedicado boa parte desse tempo aos estudos na área. “Sempre me interessei”, salienta.
Entre as tantas pessoas que o procuraram durante esse período, descobriu dois casos reais de possessão. Em um deles, revela que uma mulher bem-sucedida, de meia idade, foi levada à paróquia por familiares. Depois de muitos encontros, no dia do ritual, foram necessários oito homens para segurá-la. “A fisionomia dela estava transtornada. Depois que terminei, essa senhora dormiu por 30 minutos. Acordou muito bem e hoje leva uma vida normal.”
RITUAL
Cada padre apto tem uma maneira diferente de realizar o ritual de exorcismo. Padre Chico, por exemplo, prefere fazê-lo na própria sala, localizada na sacristia da Paróquia Nossa Senhora das Dores. Não autoriza nem mesmo que outras pessoas, como a própria família, participem. “Sozinhos somos mais verdadeiros”, evidencia.
Em janeiro de 1999, o Vaticano emitiu um ritual de exorcismo revisado para ser usado pelos padres católicos. As diretrizes para a condução compreendem uma única seção do Ritual Romano (Rituale Romanum). “Usamos uma sobrepeliz e a estola roxa. Na verdade, trata-se de uma bênção mais forte, que pode demorar bastante. Nos utilizamos muito de água benta e crucifixo”, conta.
OS ESCOLHIDOS
Regem as Leis da Igreja que cada diocese deve ter um ou dois padres aptos a realizarem o trabalho, que é padronizado por um livro chamado Ritual de Exorcismos e Outras Súplicas.
Os nomes dos sacerdotes são indicados pelo próprio bispo.
Há, inclusive, a Associação Internacional dos Exorcistas, entidade que mantém reuniões semestrais em Roma e envia um boletim informativo a seus membros.
Na Diocese de Santa Maria, apenas os padres Francisco Luiz Bianchin e Celito Moro podem exercer a prática. “É preciso uma padronização no ritual e, principalmente, muito conhecimento sobre o tema”, lembra Bianchin.

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